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Tropas no rio Aquidauana



Rio Aquidauana, desenhado pelo cadete Tauanay

Procedentes do Taboco e acampados à margem do córrego Piranhinha desde o dia anterior, os soldados da força expedicionária de Mato Grosso, com destino a Miranda e Bela Vista, partem 6 de setembro de 1886, rumo à travessia do rio Aquidauana, segundo registro do cadete Taunay:

Deixando o pouso às 7 ½ horas da manhã, seguiu a força ao rumo S. O. no qual caminhou três léguas por extensas planícies tão faltas d’água na seca, quão alagadas no tempo das chuvas. Virando depois sensivelmente a O. e a O.S.O. por légua e meia, chegou à margem direita do rio Aquidauana no lugar fronteiro ao denominado Porto do Sousa, onde por muitos meses tiveram os paraguaios um importante ponto para vaquejadas. Bela e frondosa mata acompanha, em ambas as margens barrancosas, esta importante corrente que vai-se unir ao rio Miranda daí a 12 ou 14 léguas pouco mais ou menos, rolando sempre águas limpas e com curso livre de obstáculos por mais de 20 léguas.

No lugar da passagem o rio tem 50 palmos, profundidade variável de uns palmos, não dando vau em alguns pontos, sendo em outros junto à margem esquerda apenas de três a quatro palmos: a sua direção é N.O.

O rio Aquidauana nasce de vertentes da grande serra de Maracaju e recebe, depois de algumas léguas de curso os rios Cachoeirinha e Cachoeira, tomando desde então importante volume de águas, engrossado pelos ribeirões Dois Irmãos, Taquarussu e Uacogo, que entram pela margem esquerda e do João Dias, córregos do Paxexi e da Paixão que deságuam pela margem direita. Do ribeirão João Dias, onde existe a última corredeira, o seu curso é livre de obstáculos, com profundidade quase constante de uns 2 metros, e largura média de 66 ms. Navegável para grandes canoas numa extensão de quase 40 léguas, fenece no rio Miranda pelo lado direito, confundindo as águas claras e puras às revoltas e barrentas daquele rio. O seu nome é de origem guaicuru. Um capitão dos cadiuéus tem a mesma denominação, com o acréscimo de um T. – Taquidauana. Não nos puderam explicar o que significa.


FONTE: Taunay, Em Mato Grosso Invadido, Companhia Melhoramentos, São Paulo, sd., página 79.


FOTO: Paisagem do rio Aquidauana, desenho de Taunay, in Céus e terras do Brasil, Comp. Melhoramentos de S.Paulo, 1929, página 80.

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