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Armas contra a divisão



Bento Xavier foi o líder da insurreição separatista no Sul do Estado

Em longo relatório à Assembléia Legislativa, em 13 de maio de 1908, o presidente Generoso Ponce descreve as movimentações do rebelde Bento Xavier no Sul do Estado e das providências tomadas para contê-lo:

"Informado do que lá se passava de grave contra a ordem pública e mesmo ameaçador à integridade do Estado; não podendo nem devendo ficar indiferente aos acontecimentos, que dia a dia tomavam maior vulto, reclamando prontas e enérgicas providências, tive de organizar, como sabeis, uma expedição militar, que daqui partiu a 30 no referido mês de novembro.


Compôs-se a força expedicionária de 177 homens, sendo 120 praças de polícia e 50 do exército e 7 oficiais a saber: 2 do exército e 5 da polícia, bem como o 1° tenente do exército dr. Emílio de Castro Brito, que acompanhou o contingente de linha que daqui (Cuiabá) seguiu.


Em Corumbá recebeu ela outros recursos bélicos, cedidos pelo governo da União, por se tratar de um movimento revolucionário em pontos de nossa fronteira com a República do Paraguai, como são aqueles onde se agitavam os bandidos capitaneados por Bento Xavier, sobre quem desde muito pesavam graves acusações como grande defraudador, pelo contrabando das rendas federais e do Estado". 


No documento qualifica-se o caudilho gaúcho de contrabandista ousado e ladrão de gado, mas, reconhece-se que havia em seu movimento o propósito de se “proclamar a separação do Sul”.


Essa expedição de que trata o presidente Generoso Ponce, não chegou a alcançar Bento Xavier que, fugiu com seus combatentes para a vizinha república paraguaia. 


O relatório é um dos primeiros documentos de autoridade cuiabana reconhecendo movimento divisionista no Sul, antes relegado a simples caso de polícia, sem implicação política.



FONTE: Generoso Ponce Filho, Generoso Ponce, um chefe, Editora Pongetti, Rio, 1952, página 498.


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